O compliance em 2026 entrou definitivamente em uma nova fase. Mais estratégico, tecnológico e conectado à governança empresarial, o tema deixou de estar restrito apenas à prevenção de fraudes ou ao cumprimento de obrigações formais. Hoje, ele está diretamente ligado à forma como empresas utilizam tecnologia, tratam dados, gerenciam pessoas e estruturam seus processos internos.
O cenário regulatório atual mostra que temas como inteligência artificial, saúde mental no trabalho e cibersegurança passaram a gerar obrigações concretas para empresas de tecnologia, startups, fintechs, healthtechs e organizações que dependem de soluções digitais para operar.
A seguir, destacamos três mudanças regulatórias que merecem atenção imediata das empresas em 2026.
Governança de IA deixou de ser tendência e começou a virar obrigação
A rápida adoção da inteligência artificial dentro das empresas trouxe ganhos relevantes de produtividade, automação e análise de dados. No entanto, o avanço da IA também aumentou a preocupação de reguladores sobre segurança, transparência e responsabilização pelo uso dessas ferramentas.
Um dos principais marcos desse movimento foi a publicação da Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamentou o uso de inteligência artificial na medicina.
Embora a norma seja direcionada ao setor da saúde, ela representa um importante sinal regulatório para o mercado como um todo. Isso porque a resolução estabelece princípios que tendem a se repetir em futuras regulamentações envolvendo IA em diferentes setores.
Entre as principais exigências estão:
– supervisão humana sobre decisões automatizadas;
– rastreabilidade das operações realizadas por IA;
– documentação técnica dos sistemas utilizados;
– gestão de riscos;
– transparência sobre o uso da tecnologia;
– definição clara de responsabilidades.
Rmpresas que utilizam IA generativa em atendimento, análise de dados, recrutamento, produção de conteúdo, automação ou tomada de decisão precisarão desenvolver estruturas mínimas de governança algorítmica.
O principal risco está na utilização indiscriminada dessas ferramentas sem políticas internas, critérios de segurança ou controle sobre os dados utilizados. Isso pode gerar problemas relacionados à privacidade, vieses discriminatórios, decisões inadequadas, vazamentos de informações e responsabilização jurídica.
Além disso, muitos clientes e parceiros comerciais já começaram a exigir maior transparência sobre o uso de IA nas operações corporativas, especialmente em contratos envolvendo tecnologia e tratamento de dados.
A atualização da NR-1 colocou saúde mental na agenda de compliance trabalhista
Outro tema que ganhou enorme relevância em 2026 foi a atualização da NR-1, Norma Regulamentadora responsável pelas disposições gerais de segurança e saúde no trabalho.
Com a nova redação, os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A mudança representa um avanço importante na forma como saúde mental passou a ser tratada dentro das organizações. O tema deixou de ser apenas uma pauta de cultura organizacional ou bem-estar corporativo e passou a integrar diretamente as obrigações regulatórias das empresas.
Na prática, isso exige uma atuação integrada entre RH, jurídico, compliance, lideranças e segurança do trabalho.
O principal risco para as empresas está no aumento de passivos trabalhistas, afastamentos, denúncias internas, fiscalizações e responsabilizações relacionadas a danos psicológicos causados pelo ambiente corporativo.
Além disso, a ausência de medidas preventivas documentadas pode dificultar significativamente a defesa da empresa em processos judiciais e administrativos.
Para reduzir riscos, algumas medidas se tornaram fundamentais:
– revisão das políticas internas;
– implementação de canais de denúncia;
– treinamentos sobre assédio e liderança;
– revisão de práticas de cobrança e metas;
– monitoramento do ambiente organizacional;
– documentação das ações preventivas adotadas.
Empresas que ignorarem esse movimento poderão enfrentar impactos não apenas jurídicos, mas também reputacionais e operacionais, especialmente em um cenário em que saúde mental passou a ser acompanhada com mais rigor por órgãos fiscalizadores e pelo próprio mercado.
Cibersegurança e gestão de terceiros passaram a exigir controles mais robustos
O aumento de ataques cibernéticos, vazamentos de dados e interrupções operacionais fez com que reguladores ampliassem as exigências relacionadas à segurança da informação.
Em 2026, a Resolução CMN 5.274 reforçou obrigações de segurança cibernética para instituições financeiras, fintechs e empresas que prestam serviços tecnológicos ao setor financeiro.
Embora a norma seja direcionada ao mercado regulado pelo sistema financeiro, ela acompanha uma tendência que já afeta empresas de diversos segmentos: a necessidade de estruturar controles mais rígidos sobre fornecedores, parceiros e terceiros que possuem acesso a dados ou sistemas críticos.
Isso ocorre porque grande parte dos incidentes de segurança atualmente envolve falhas em integrações, acessos terceirizados ou vulnerabilidades em fornecedores.
As novas exigências reforçam pontos como:
– monitoramento contínuo de riscos cibernéticos;
– gestão de terceiros;
– resposta a incidentes;
– controle de acessos;
– continuidade operacional;
– políticas de segurança da informação;
– avaliação periódica de vulnerabilidades.
O principal risco para as empresas está na falsa percepção de que segurança da informação é apenas uma questão técnica.
Hoje, falhas de cibersegurança podem gerar impactos financeiros relevantes, paralisação de operações, perda de dados, quebra de contratos, danos reputacionais e responsabilização regulatória.
Além disso, empresas que atuam no mercado B2B já enfrentam exigências cada vez maiores de compliance cibernético por parte de clientes e parceiros comerciais.
Para reduzir riscos, as empresas precisam fortalecer sua governança de segurança da informação, revisar contratos com fornecedores, implementar políticas internas e desenvolver processos claros para prevenção e resposta a incidentes.
Mais do que uma medida tecnológica, a cibersegurança passou a representar uma pauta estratégica de governança corporativa.
Compliance em 2026: O novo compliance é tecnológico, preventivo e integrado à estratégia da empresa
As mudanças regulatórias mostram que o compliance em 2026 deixou de atuar apenas de forma reativa.
Hoje, empresas precisam desenvolver estruturas preventivas capazes de antecipar riscos relacionados à tecnologia, dados, saúde mental, segurança da informação e inteligência artificial.
Esse movimento exige uma atuação cada vez mais integrada entre jurídico, compliance, RH, tecnologia, segurança da informação e lideranças corporativas.
Ao mesmo tempo, empresas que estruturarem políticas internas, processos de governança e controles adequados terão não apenas mais segurança jurídica, mas também vantagem competitiva em um mercado que valoriza transparência, gestão de riscos e maturidade regulatória.
Em um cenário de mudanças rápidas e regulamentações cada vez mais complexas, compliance deixou de ser apenas uma obrigação formal. Ele passou a ser parte essencial da sustentabilidade e da estratégia de crescimento das empresas. Entre em contato com a nossa equipe e descubra como podemos auxiliar a sua empresa.